Existe uma diferença entre compreender o próprio sofrimento e conseguir sair dele. É precisamente neste intervalo que actua o Analista do Paradoxo Existencial.
Existe uma diferença entre compreender o próprio sofrimento e conseguir sair dele. Muitas pessoas chegam a um ponto em que conhecem bem a sua história, identificam os padrões que se repetem, reconhecem as situações que as afectam e, ainda assim, continuam a funcionar do mesmo modo. Algo nelas entende. Algo continua igual.
É precisamente neste intervalo que actua o Analista do Paradoxo Existencial.
O que faz o analista
O trabalho do analista não se orienta pelo diagnóstico, pela interpretação ou pela prescrição de mudanças. Orienta-se pela escuta e pela investigação. O analista acompanha a pessoa na leitura dos seus circuitos internos, identificando os padrões repetitivos, as crenças fundantes e as fraturas que sustentam o sofrimento sem que o sujeito perceba.
Esse processo não parte do pressuposto de que a pessoa precisa de ser corrigida. Parte do reconhecimento de que existe uma lógica interna que organiza silenciosamente o funcionamento psíquico, e que essa lógica só pode ser interrompida quando se torna visível.
O Trabalho Associativo Orientado
A técnica central utilizada na Análise APE é o Trabalho Associativo Orientado, o TAO. Trata-se de um processo de investigação conduzido pelo analista, em que a fala do analisando é acompanhada com atenção precisa, buscando identificar os pontos de tensão, as repetições de sentido e os momentos em que o circuito se activa.
O TAO não é uma conversa comum. É um instrumento de leitura da vida psíquica em tempo real, que permite ao analista mapear o que está a organizar o sofrimento por baixo do que é dito.
O intervalo como possibilidade
Um dos conceitos centrais da abordagem é o intervalo. O analista trabalha para que o analisando desenvolva a capacidade de criar um espaço entre o estímulo e a resposta automática, entre o circuito que se activa e a acção que se repete. Esse espaço, por menor que seja, é onde a mudança real começa.
Não se trata de controlar as emoções nem de substituir um comportamento por outro. Trata-se de ampliar a consciência sobre o que está a acontecer internamente, de modo que a pessoa passe a ter mais escolha sobre o que faz com o que sente.
Quem pode exercer
A formação em Análise do Paradoxo Existencial habilita ao exercício da Análise APE. Para informações sobre os critérios de aceitação de candidatura e condições de acesso ao programa, entre em contacto com o Instituto.
